segunda-feira, 18 de novembro de 2013

CAMPANHAS ABOLICIONISTAS

Na primeira metade do século XIX, a Inglaterra já pressionava a Coroa portuguesa a abolir a escravidão no território brasileiro. Entretanto, tal ato confrontava com os interesses da elite cafeicultora e dos próprios portugueses, que lucravam com a mão-de-obra não remunerada.

Em 1863, o decreto do presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln em acabar com a escravidão nos Estados Unidos deu margem para que movimentos abolicionistas brasileiros fortalecessem sua campanha contra o regime escravocrata.



A abolição da escravatura: quadro de Auguste François Biard (1798-1882)


Políticos republicanos engajados, como Joaquim Nabuco e José Patrocínio, criaram em 1880 no Rio de Janeiro a “Sociedade Brasileira Contra a Escravidão”, para acelerar o processo de abolição. O jornal “O Abolicionista”, de Nabuco, e a “Revista Ilustrada”, de Ângelo Agostini, foram importantes contribuições intelectuais para explicar como regimes escravocratas são danosos ao Estado e à humanidade.

Além de Nabuco e Patrocínio, intelectuais, jornalistas, advogados e estudantes aderiram à campanha abolicionista. Entre eles, estavam Castro Alves, José Bonifácio, Eusébio de Queirós, Visconde de Rio Branco, Luís Gama e Rui Barbosa.

Alguns ativistas chegavam a organizar secretamente fugas de escravos em quilombos do Rio de Janeiro. Luís Gama, um advogado ex-escravo, foi responsável pela libertação de mais de 1.000 deles em São Paulo. Nesta época, cerca de 750.000 negros ainda eram mantidos como escravos.

Em 1871, criou-se a primeira lei de cunho abolicionista. Apesar de ser um ideal difundido majoritariamente pela ala liberal, foi o conservador Visconde do Rio Branco quem criou a Lei do Ventre Livre, defendendo o escravismo como uma “instituição injuriosa” que fere a imagem internacional do Brasil. A lei não foi levada a sério pelos imperialistas, mas mostrou números agravantes sobre a situação da mão-de-obra escrava do país, expondo-os a público.

Benjamin Constant, tenente-coronel e professor do Colégio Militar, incitou seus alunos militares a não sustentarem o regime escravocrata e, em outubro de 1887, o marechal Deodoro da Fonseca, responsável pelo Colégio Militar, informou à Princesa Isabel que as tropas do exército estavam indisponíveis para capturar escravos foragidos, pois não eram “capitães do mato”. O ato do marechal acabou ligando diretamente o movimento abolicionista com o movimento republicano.




Desta forma, a crescente pressão para o fim do regime escravocrata teve êxito com a assinatura da Lei Áurea, em 13 de novembro de 1888, pela Princesa Isabel. Entretanto, os negros libertados ainda se depararam com outro dilema, que persiste ainda nos dias de hoje: a inclusão social.


Questão: Movimento Abolicionista



Charge de Ângelo Agostini mostrando o movimento abolicionista
Na prova do Enem 2009, tente resolver esta questão sobre o movimento abolicionista no Brasil, liderado por figuras como Joaquim Nabuco, e que acabou levando à abolição do escravismo no país. A resolução está logo abaixo da questão, com comentários e habilidades cobradas na prova. Para ter mais informações sobre este exame nacional, fique atualizado nas notícias sobre o Enem.

Questão

Questão 39:
O abolicionista Joaquim Nabuco fez um resumo dos fatores que levaram à abolição da escravatura com as seguintes palavras: “Cinco ações ou concursos diferentes cooperaram para o resultado final: 1.º) o espírito daqueles que criavam a opinião pela idéia, pela palavra, pelo sentimento, e que a faziam valer por meio do Parlamento, dos meetings [reuniões públicas], da imprensa, do ensino superior, do púlpito, dos tribunais; 2.º) a ação coercitiva dos que se propunham a destruir materialmente o formidável aparelho da escravidão, arrebatando os escravos ao poder dos senhores; 3.º) a ação complementar dos próprios proprietários, que, à medida que o movimento se precipitava, iam libertando em massa as suas ‘fábricas’; 4.º) a ação política dos estadistas, representando as concessões do governo; 5.º) a ação da família imperial.”
(Joaquim Nabuco. Minha formação. São Paulo: Martin Claret, 2005, p. 144 (com adaptações)).
Nesse texto, Joaquim Nabuco afirma que a abolição da escravatura foi o resultado de uma luta
a) de idéias, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que libertavam seus escravos, de estadistas e da ação da família imperial.
b) de classes, associada a ações contra a organização escravista, que foi seguida pela ajuda de proprietários que substituíam os escravos por assalariados, o que provocou a adesão de estadistas e, posteriormente, ações republicanas.
c) partidária, associada a ações contra a organização escravista, com o auxílio de proprietários que mudavam seu foco de investimento e da ação da família imperial.
d) política, associada a ações contra a organização escravista, sabotada por proprietários que buscavam manter o escravismo, por estadistas e pela ação republicana contra a realeza.
e) religiosa, associada a ações contra a organização escravista, que fora apoiada por proprietários que haviam substituído os seus escravos por imigrantes, o que resultou na adesão de estadistas republicanos na luta contra a realeza.

FONTES:






Postado por Eduardo L G Camargo - POSIE - Embu das Artes/SP

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